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  • Foto do escritorJornalista Adriana Dias

Carne de lata e a verdadeira comida mineira no fogão à lenha

Tudo foi pensado nos mínimos detalhes para que você se sinta numa típica fazenda bicentenária. E, realmente, a Fazenda São José da Colina foi fundada há mais de 200 anos, onde foram fundados o Sindicato dos Produtores Rurais de Passos (Sinrural) e a Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), por meio das idéias do proprietário, coronel Pedro Silva.


A casa principal, atualmente um museu particular, preserva muito da história dos fazendões de Minas Gerais. Este é o cenário de entrada para o Fazendão Restaurante e Pousada, inaugurado no dia 10 de abril, em Passos, na estrada Passos/Glória, de onde o Agronotícias traz algumas delícias para esta edição, dentre elas a receita de carne de lata.


Recepcionada pelo casal Élcio Luiz dos Santos e Cintia Fernanda Honória, vestidos a caráter como cavaleiros, a equipe foi acolhida, e já de cara, se depara com um grande fogão à lenha, onde as comidas de gastronomia mineira ficam expostas para que todos possam se servir. Na área de alimentação também tem um carro de boi que serve para amparar deliciosos tira-gostos como pamonha frita, queijos variados, linguiça, torresmo e uma variedade de comidinhas da roça.


Élcio Luiz dos Santos
Élcio Luiz dos Santos


Mas, os carros-chefes são, sem dúvidas, a leitoa assada, o carneiro assado, a carne de lata e todas as gostosuras da comida de verdade. Elcinho, como é conhecido, explicou que idealizaram o local com base no estilo de comida de tropeiros. “Gosto muito de cavalgadas, principalmente aquelas para Aparecida do Norte, e é o tipo de alimento raiz que atrai tanto os moradores da região quanto turistas”, salientou. A experiência de Elcinho, comerciante do ramo de carnes, proprietário da Boutique da Carne, açougue que tem há quase 4 décadas, lhe confere a possibilidade de buscar o melhor produto para oferecer aos clientes do Fazendão.



A fazenda foi arrendada já há alguns anos, restaurada há 20 anos por Ricardo Maia e, mais recentemente novamente restaurada e reestruturada para receber nos finais de semana mais de 1 mil pessoas. A capacidade é de 500 pessoas sentadas, porém, há uma rotatividade, uma vez que o Fazendão abre as ‘porteiras’ às 11h e segue até 19h com som ambiente e muitas atrações para os olhos, para o paladar.


Também funciona em feriados e para convenções de empresas, casamentos e aniversários. Inclusive, o primeiro grande evento corporativo foi para o Grupo Ipiranga, recebendo elogios do presidente e diretores.


“A maioria dos nossos produtos é de origem aqui da fazenda ou de produtores rurais que eu já conheço a qualidade, com isso, posso garantir a qualidade de ponta a ponta. Nós criamos gado, aves, carneiros, hortaliças, leite para a produção do queijo e doces. Os animais comem uma alimentação balanceada, alimentos sem agrotóxicos. Com relação ao leite, tiramos de animais que não comem ração, é a pasto. O abate dos animais dentro da fazenda eu posso fazer, por força da minha profissão, mas de terceiros, levo para o frigorífico. Temos o cuidado no processo com acompanhamento de nutricionista e aqui no restaurante toda a comida é preparada com a nossa supervisão, mas com a presença de cozinheira renomada.


Temos o prazer de ter conosco a passense Maria da Penha Silva Costa, com 32 anos de experiência em diversos lugares como nas pousadas Vale do Céu, Canteiros, Guardião da Serra. São 23 colaboradores uniformizados e treinados, estudantes de universidades que atuam no atendimento, na brinquedoteca, na cozinha são pessoas experientes, além dos membros da família, que também atuam no espaço e oferecem a comida raiz mineira.


“Nós víamos uma carência deste tipo de comida, feita na gordura de porco caipira, carne na lata. Aqui não utilizamos nenhum condimento industrializado. É a comida à base do alho, cebola, cebolinha verde, salsinha e preparado com muita qualidade e cuidado. São muitos itens no cardápio. Pezinho de porco, rabada, almôndega de carne de carneiro, lingüiça pura, feijoada, arroz branco, feijão tropeiro”, salientou.


Questionado sobre qual o prato ele prepararia para o Presidente da República, Elcinho não hesitou em dizer que seria: arroz, feijão tropeiro e carne na lata, frango caipira produzido na fazenda.


“A comida simples, igual da mãe da gente”, assegurou. A cozinheira Penha contou que toda a comida é preparada com bastante antecedência. “Durante a semana nós já começamos a fritar a carne de lata, no fogão à lenha, pois o ideal é que fique em torno de 1 mês curtindo na gordura de porco. Fritamos o torresmo também. Mesmo dando muito trabalho para fritar o porco para a carne de lata, é um dos preparos que mais gosto de fazer. Faço com amor e gosto de ver o restaurante cheio”, afirmou.





Agora, vamos à receita da carne de lata! Cortes de pernil, lombo e costelinha suínos temperados com alho, sal e cebola. Coloque a banha de porco no tacho e leve as carnes ao fogão à lenha e vai mexendo com uma colher de pau. Espere esfriar e acondicione em vasilhas, de preferência de alumínio, ou como antigamente, em latas. Esta é uma técnica da época que não existia geladeira, a gordura possibilita a conservação da carne até 6 meses e dá um sabor ao prato inigualável. É de comer rezando.

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